Nasceu em Luanda a 7 de Junho de 1827 e faleceu no Rio de Janeiro a 18 de Outubro de 1867.
Tinha o mesmo nome do avô, português, e do pai, já nascido em Luanda, comerciante abastado e senhor de uma vasta frota de navios. A mãe, Ângela de Medeiros Matoso Maia, também luandense, descendia em linha directa de duas proeminentes casas senhoriais de Luanda: a dos Matoso de Andrade e a dos Botelho de Vasconcelos.
Publicou em 1849 o volume de poesias, Espontaneidades da minha alma. Às Senhoras Africanas, considerado a primeira obra literária publicada em Angola da autoria de um escritor angolense. Da primeira edição desta obra, a única cópia que sobreviveu foi descoberta numa biblioteca pública de New York na segunda metade do século XX pelo professor da Universidade de Wisconsin, Gerald Moser. Em 2002 foi publicada uma reedição em Portugal pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
A sua vida errante iniciou-se em 1834, com a queda do regime miguelista em Portugal, quando a família foi obrigada a retirar-se para o Rio de Janeiro em virtude do progenitor, apoiante declarado daquele regime, ter perdido todos os seus lugares e privilégios na administração pública de Angola. Maia Ferreira cumpriu o primeiro ciclo da sua formação escolar no Rio de Janeiro até aos 10 anos. Em 1838, juntamente com o irmão mais velho, António da Silva Maia Ferreira, foi estudar para Lisboa onde permaneceu até 1841, após o que retornou ao Rio de Janeiro. Dali para diante iria dividir a sua trajectória entre o Brasil, Angola e New York.
Regressou a Luanda em 1845 e, com apenas 18 anos, assumiu a função de secretário da Junta de Saúde e a de secretário da Comissão Mista Portuguesa e Britânica em 1846. Logo a seguir, a 18 de Outubro de 1847, retornou ao Rio de Janeiro em negócios. Em Setembro de 1849 ei-lo de novo em Angola, onde foi colocado em Benguela como tesoureiro da alfândega.
Em Abril de 1850 foi investido no cargo de oficial da Secretaria do governo da mesma capitania. O seu último emprego em Benguela foi o de escrivão das descargas da alfândega, donde acabou por ser demitido em 1851 por […] por irregular comportamento e repreensível conduta […] Este episódio pesou inquestionavelmente na sua decisão de abalar para a América do Norte em Maio de 1851 por estar relacionado com os acontecimentos em Benguela: a revolta dos comerciantes europeus, deposição do governador, coronel Francisco Tavares de Almeida, e com a exposição dos seus amigos ao ferrete do desprezo público, por causa das convicções progressistas e o pendor anti-lusitano de todos eles. Terão sido recção a New York.
Em 1852 foi admitido no Consulado-Geral como escrivão. A 22 de Abril de 1856, por proposta do cônsul-geral português em New York, foi investido nos cargos de chanceler e vice-cônsul pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português em 16 de Março de 1858.
Não mais retornaria ao seu chão natal.
Bibliografia do autor:
Espontaneidades da minha alma. Às Senhoras Africanas (1849).