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LÍLIA DA FONSECA (MARIA LÍLIA VALENTE DA FONSECA SEVERINO)

Nasceu a 21 de Maio de 1906, na cidade de Benguela, e faleceu a 14 de Agosto de 1991, em Lisboa. Era filha de uma angolense natural de Luanda e de um português republicano e maçon.

Viajou para Portugal ainda criança. Estudou em Coimbra e no Porto, onde investiu na sua formação académica.

Em 1941 publicou A mulher que amou uma sombra, mas foi com Panguila, em 1944, que ganhou notoriedade como escritora, um romance que faz um retrato fiel da sociedade benguelense colonial da época.

Em 1948, com a criação do MNIA (Movimento dos Novos Intelectuais de Angola), que tinha como lema Vamos descobrir Angola!, a escritora trabalhou com outros escritores e poetas da sua época, como Ermelinda Xavier, Maurício de Almeida Gomes, Cochat Osório, Agostinho Neto, António Jacinto, Humberto da Sylvan e Viriato da Cruz, entre outros.

Porém, foi como autora de literatura infanto-juvenil que Lília da Fonseca especialmente se distinguiu. Publicou vários títulos, conquistou o prémio João de Deus em 1960 e em 1963, e a colecção “Carrocel”, que dirigiu, teve o apoio da Fundação C. Gulbenkian. Fundou ainda o Teatro de Branca Flor, em 1962, de fantoches, com peças e bonecos também de sua autoria. 

Para além de escritora, trabalhou como jornalista no início da carreira.

Contribuiu com a sua escrita informativa e com os seus textos poéticos e narrativos no jornal A Província de Angola, onde foi redatora, na altura em que fixou residência em Lisboa.

Apesar de se ter afirmado como escritora, não deixou de colaborar no jornal A Província de Angola, assim como em outros periódicos. Fundou o jornal Magazine da Mulher (1950-56), em Lisboa, que dirigiu, e colaborou em numerosas publicações, como Século IlustradoMundo Português e Seara Nova.

Destacou-se ainda por ter sido a primeira mulher que teve a coragem de concorrer às eleições legislativas para a Assembleia Nacional, em 1957, como candidata pela Oposição Democrática. Em 1969 foi uma das dez mulheres que, na Cooperativa Padaria do Povo, lançaram a Comissão Democrática Eleitoral de Mulheres, que iria fazer parte do Movimento CDE. Lília da Fonseca integrou a Comissão Distrital da CDE de Lisboa (1969).

A partir de 1977, e até ao seu falecimento, integrou o Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres.

Bibliografia da autora:

A mulher que amou uma sombra (1941)

Panguila (1944) 

Poemas da hora presente (1958)

Filha de branco (1960) 

O relógio parado (1961)

O malmequer das cem folhas (1984)

O moinho da Inácia (1987) 

Os ladrões das barbas de arame farpado (1989).

Nasceu em Luanda a 7 de Junho de 1827 e faleceu no Rio de Janeiro a 18 de Outubro de 1867.

Tinha o mesmo nome do avô, português, e do pai, já nascido em Luanda, comerciante abastado e senhor de uma vasta frota de navios. A mãe, Ângela de Medeiros Matoso Maia, também luandense, descendia em linha directa de duas proeminentes casas senhoriais de Luanda: a dos Matoso de Andrade e a dos Botelho de Vasconcelos.

Publicou em 1849 o volume de poesias, Espontaneidades da minha alma. Às Senhoras Africanas, considerado a primeira obra literária publicada em Angola da autoria de um escritor angolense. Da primeira edição desta obra, a única cópia que sobreviveu foi descoberta numa biblioteca pública de New York na segunda metade do século XX pelo professor da Universidade de Wisconsin, Gerald Moser. Em 2002 foi publicada uma reedição em Portugal pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

A sua vida errante iniciou-se em 1834, com a queda do regime miguelista em Portugal, quando a família foi obrigada a retirar-se para o Rio de Janeiro em virtude do progenitor, apoiante declarado daquele regime, ter perdido todos os seus lugares e privilégios na administração pública de Angola. Maia Ferreira cumpriu o primeiro ciclo da sua formação escolar no Rio de Janeiro até aos 10 anos. Em 1838, juntamente com o irmão mais velho, António da Silva Maia Ferreira, foi estudar para Lisboa onde permaneceu até 1841, após o que retornou ao Rio de Janeiro. Dali para diante iria dividir a sua trajectória entre o Brasil, Angola e New York.

Regressou a Luanda em 1845 e, com apenas 18 anos, assumiu a função de secretário da Junta de Saúde e a de secretário da Comissão Mista Portuguesa e Britânica em 1846. Logo a seguir, a 18 de Outubro de 1847, retornou ao Rio de Janeiro em negócios. Em Setembro de 1849 ei-lo de novo em Angola, onde foi colocado em Benguela como tesoureiro da alfândega.

Em Abril de 1850 foi investido no cargo de oficial da Secretaria do governo da mesma capitania. O seu último emprego em Benguela foi o de escrivão das descargas da alfândega, donde acabou por ser demitido em 1851 por […] por irregular comportamento e repreensível conduta […] Este episódio pesou inquestionavelmente na sua decisão de abalar para a América do Norte em Maio de 1851 por estar relacionado com os acontecimentos em Benguela: a revolta dos comerciantes europeus, deposição do governador, coronel Francisco Tavares de Almeida, e com a exposição dos seus amigos ao ferrete do desprezo público, por causa das convicções progressistas e o pendor anti-lusitano de todos eles. Terão sido recção a New York. 

Em 1852 foi admitido no Consulado-Geral como escrivão. A 22 de Abril de 1856, por proposta do cônsul-geral português em New York, foi investido nos cargos de chanceler e vice-cônsul pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português em 16 de Março de 1858.

Não mais retornaria ao seu chão natal.

Bibliografia do autor:

Espontaneidades da minha alma. Às Senhoras Africanas (1849).